TEMPLATE ERROR Current Date: Thu Dec 18 16:48:03 BRT 2008 URL : Skin : Last Modify : Wed Dec 31 21:00:00 BRT 1969 File Name : Line : 296 Errors : Error: Block not closed: uol.tpl.StatementIFNotComparison Cê tá falando comigo?! - UOL Blog
Sou assim...
...meio confusa.


Geminiana com quase 30.
Sou moleca, mulher, mãe.
Adoro jogar conversa fora, filosofias de boteco e dúvidas existenciais.
Como escritora, sou ótima fonoaudióloga!
Tá falando comigo?
Então fala...

BRASIL, Mulher

...Twitter...


...Contato...




Eles falam comigo...



Falo com eles...

 Rango na Madrugada
 Só Para Loucos
 O Carapuceiro
 Purrinhola
 Caminhando
 O Ladrão de Palavras
 Coração Envenenado
 Bem Resolvida na Vida
 Infâmias
 Manual do Cafajeste (para mulheres)
 Sou Pára-raio de Doido
 Revisitando Idéias

Cômicos...

Te dou um dado
Deu Zebra


Já falei...





     
    Cê tá falando comigo?!


    Realização...

    ... é tudo o que desejo para mim e para meus amigos.

    Desejo àqueles que procuraram que encontrem,

    Àqueles que tentaram que consigam,

    Àqueles que sorriram que gargalhem,

    Àqueles que se alegraram que se divirtam,

    Àqueles que beberam que bebam mais,

    Àqueles que se apaixonaram que amem,

    Àqueles que abraçaram que beijem e àqueles que beijaram que façam sexo,

    Àqueles que estudaram que aprendam,

    Àqueles que jogaram que ganhem,

    Àqueles que queriam que conquistem,

    Àqueles que sonharam que realizem e

    Àqueles que lutaram que vençam.

     

    Desejo aos amigos de ontem, aos amigos de hoje, aos amigos de amanhã.... aos amigos de sempre ...

     

    Feliz Natal e um ótimo 2009!

     

    P.S.: Ficarei offline até meados de Janeiro!! Não morram de saudades!!



    Escrito por Rê às 16h41
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    - Vou fazer uma coisa que não deveria.

    - Irá despir-se e correr pelas ruas, apenas de meias?

    Ele riu.

    - Não, não foi nisso que pensei.

    - O que seria tão errado?

    - Te beijar.

    - E porque não poderia fazê-lo?

    - Os laços que nos unem, nos impedem.

    - Se considera um erro, porque o fará?

    - Porque te desejo.

    - Então faça!

     

     

    - Diga-me: sua contravenção, valeu a pena?

    - Muito.

    - Sofrerá conseqüências?

    - Talvez. Mas posso conviver com elas.

    - Neste caso, beije-me de novo.



    Escrito por Rê às 14h29
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    Eu não tenho nada pra dizer...

    E só pra garantir esse refrão...

    Mais alguém tá entediado, cansado, contando os dias para os feriados?


    Escrito por Rê às 20h31
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    Presente para São Paulo

    Muita gente já deve estar sabendo, mas a Nokia vai dar um presente pra São Paulo. Só temos que votar naquele que acharmos melhor. Golpe de Marketing, mas tem sua funcionalidade para nós, paulistanos. As opções de "presente" são:

    - Conect Book: 38 audiobooks de obras literárias para download gratuito.

    - Conect Art: audiotour e painel interativo para a Pinacoteca  de São Paulo.

    - Conect USP: rede wi-fi para a cidade Universitária (todo o campus da USP, inclusive 1 ou 2 do interior), para acesso por qualquer um que frequente o campus.

    Votei no da USP, óbvio, não só porque me favorece, mas também porque é o mais útil! rs... Votem lá!! (Na USP, de preferência!! rs)



    Escrito por Rê às 13h12
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    Um livro virtual - Primeiro Capítulo (é longo, desculpa!)

    Cada pêlo de seu corpo se arrepiava com aquele som. Agudo, intenso, intermitente e assustador. Poderia ser o grito de uma mulher perturbada. Poderia ser o uivo de um lobo faminto. Poderia ser o lamento de um espírito errante. Quando se está sozinho, num chalé antigo nos recônditos de uma floresta, um som pode representar todos os nossos medos. Não sabia o que a assustava mais, aquela situação ou repassar os eventos que a trouxeram até ali.

    Estar sozinha num momento como aquele, depois de ter chegado naquela floresta acompanhada, era desolador; e não enxergar um palmo a frente do nariz, era apavorante. Mantinha-se parada no mesmo ponto, com as mãos sobre uma mesa. Sabia que havia um sofá por ali, o havia notado quando entrou apressada, mas tinha receio de tirar as mãos do móvel e se perder naquela escuridão densa. Tampouco ousava virar-se, pois após perceber que não havia claridade aonde abrigar-se, começou a ter aquela sensação de que não estava completamente só. Aquela sensação que temos, às vezes, e que nos impele a procurar alguém guardando-nos as costas. Mas ela não cederia a este apelo, não olharia, pois talvez visse mais do que desejava. Preferiu, então, ignorar a presença, se é que ela existia de fato.

    Ficaria ali, em pé, com as mãos sobre a mesa, imóvel e sem olhar para trás, até o amanhecer. Então alguma luz entraria pelas frestas da madeira e ela conseguiria sair daquele lugar e procurar a estrada de volta para a cidade. Arrependia-se de ter tido o impulso de procurar o local, mas talvez, se não o fizesse, aquela dúvida a perseguisse pelo resto de sua vida. Preferiu não se acovardar e tentar entender, vendo com seus próprios olhos, o que haviam lhe contado tão abruptamente um mês atrás. Mas não imaginava do que seria vítima quando chegasse, nem que se separaria de Daniel, ou que se perderia naquela floresta fugindo de algo, que, não soube identificar o que era, mas que a perseguia, tinha certeza.

    Tentou controlar o medo e organizar os pensamentos. Se teria que passar a noite toda ali, que pelo menos estivesse serena e consciente. Entretanto, manter-se calmo quando seu cérebro está em estado de alerta é uma tarefa quase impossível. Todo e qualquer estímulo externo parecia-lhe dez vezes mais intenso do que realmente era. Foi quando ouviu passos pesados lá fora, e um farfalhar da grama que parecia algo pesado sendo arrastado. Desesperou-se. Onde estaria Daniel? Será que ele a encontraria a tempo? Não queria ser morta, e ali seu corpo nunca seria encontrado!

    O ranger de uma porta a fez pular para trás e viu-se mergulhada no negrume do chalé sem a mesa como apoio. A falta de luz era tão intensa que, mais um pouco, não poderia dizer se sua cabeça ainda estava sobre seu pescoço, ou seus braços presos ao tronco. Embora pudesse, com certeza, afirmar que seu coração ainda batia. Apalpou o ar a procura da mesa, mas não a encontrou. Deu um passo a frente e acabou tropeçando em outro móvel, um banco ou uma cadeira, e caiu no chão. Tateando, começou a deslocar-se de gatinhas, desesperada por encontrar algo que lhe trouxesse conforto. A mesa, ou o sofá, ou a porta – finalmente concluía que a luz fria do luar lhe provia mais segurança do que as paredes daquele chalé.

             Sentia a aspereza do chão em suas palmas e joelhos, mas preferia não parar, continuou a procura inconseqüente por segurança, dando encontrões em móveis que tombavam e retumbavam. Percebeu que não conseguiria daquela forma, e parou para respirar e acalmar-se novamente. Então ouviu passos arrastados novamente, agora dentro do chalé, como se alguém estivesse se aproximando dela. Há quanto tempo aquilo estava dentro? Teria a ouvido derrubando os móveis? Saberia que ela estava lá? Passou a engatinhar para trás, pois tinha certeza que a coisa, pessoa ou animal vinha ao seu encontro. Os passos pararam ao mesmo tempo em que ela encontrou o sofá. Encolheu-se, encostando-se o máximo que podia no estofado macio, quase como se quisesse fundir-se a ele.

             O arrastar de pernas recomeçou, aproximando-se cada vez mais. Estava bem ao lado dela, estava parado agora, e ela tentava, a todo custo, não emitir sons. Temia que seu coração disparado ou sua respiração ofegante, a traíssem. Apertou os braços envoltos ao corpo, como se assim pudesse controlá-lo, e a seu medo. Seu perseguidor moveu-se novamente, mas agora se afastando dela. Ela sentiu um alívio reconfortante, e torceu para que ele saísse do chalé, assim saberia como sair também. Procurou algum sinal de luz, e não viu nada, ele não tinha saído e seus passos não podiam mais ser ouvidos. Assim que pensou em recomeçar a procura pela saída, o sofá no qual estava recostada deu um tranco, e começou a mover-se em sua direção. Era empurrado rapidamente, e ela junto. Empurrados contra uma parede.

    Esmagada, era como morreria. Mas o sofá, assim como tinha começado a mover-se, parou. Viu-se encurralada, com apenas uma saída a sua frente. Queria sair dali, estava começando a sentir falta de ar, mas tinha medo. O tempo foi passando e ela foi ficando cada vez mais ansiosa, não conseguia mais respirar calmamente, sentia uma leve tontura e uma vontade louca de gritar. O espaço parecia cada vez menor, tinha certeza que o sofá estava movendo-se novamente, apertando-a contra a parede cada vez mais. Viu alguns feixes de luz começar a penetrar o chalé e percebeu que o dia começava a nascer. Era a chance dela. Desesperou-se, e sem conseguir mais esperar, arremessou-se contra a abertura a sua frente. Assim que inspirou fundo o ar da liberdade, foi lançada pelos cabelos contra a parede oposta. Tentou levantar-se, mas não foi rápida o suficiente. Foi içada pela gola da camisa e prensada contra a parede. Esticou o braço para tentar alcançar seu agressor, que apertava seu pescoço, mas não alcançou. Sua visão foi ficando cada vez mais turva, embora o chalé ficasse cada vez mais claro. Conseguiu visualizar, pela primeira vez, aquele que a perseguiu durante toda aquela noite. A visão foi assustadora, e não viu mais nada.

     

    (A intenção é continuar o texto... se eu tiver tempo, criatividade e competência...)



    Escrito por Rê às 00h17
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    Diálogo de um só

    O palco da batalha pelo poder. Um cenário assustador: corpos dilacerados, membros espalhados, a terra clara era, agora, vermelha e úmida. Uivos de dor e sussurros de lamento tinham a mesma intensidade. Tudo era intenso. Um grupo podia ser visto em pé, em roda. Mas não faziam nada, apenas observavam. Observavam algo que se passava ao centro. Era um diálogo. O diálogo de um só.

    Estava em pé. Altiva, saudável, vencedora. Parecia incoerente em sua brilhante armadura de prata, impecavelmente limpa, e sua mortal espada, completamente ensangüentada. Espada esta que apontava com firmeza para outro ser. Um ser que tinha atitude oposta a de seu algoz. Era deplorável, estava machucada e ensangüentada. Sua armadura estilhaçada perfurava sua pele quanto mais copiosamente chorava e, ajoelhada, abandonou todo o orgulho e implorou por perdão.

             - Tenho vergonha de ti – disparou a primeira – veja a que ponto chegaste, a que ponto te levaste a loucura. Estás satisfeita assim? – sem tirar os olhos do ser rasgado a sua frente, abriu os braços abarcando todo o cenário - Olhe ao redor. É isto que querias? Pois é isto o que ganhaste ao me expulsar: destruição!

    Abaixou-se sobre um joelho, e voltou a apontar a espada para seu inimigo. Continuou falando, num tom leve e calmo.

             - Tu nunca entendeste porque devíamos viver juntas. Nunca aceitaste que fôramos feitas para viver em harmonia, que nos completávamos. Conheço-te como a ninguém mais. Sei teus medos, enumero teus defeitos e velo tuas virtudes. Sinto teu cheiro e teu calor. Minhas teorias e conselhos deveriam guiar tuas ações e sentimentos. – levantou-se, sem abandonar a ameaça da espada, ou a monotonia das palavras – Nunca entendeste, ou não teria me ignorado, e me posto fora a pontapés e arranhões. Mas o fez, e o fez por três ou quatro vezes. Abandona-me e entrega-te a teus sentidos, ignora teus instintos e termina por levar-te à loucura. Então, novamente me procura. E estás sempre à deriva, despedaçada, destruída. E me implora, mais ou menos como agora.

             Seus olhos percorreram a dimensão do campo de batalha. Focou as antigas árvores, que um dia tiveram copas frondosas e floridas, mas hoje eram apenas traços de sua história. Procurou os animais e outros seres que ali habitavam, e não os encontrou. Nenhuma vida, a não ser as suas, brincava por ali. O choro da irmã, desesperada a seus pés, a despertou para o que viria e, sem alterar o tom de sua voz, voltou a falar.

             - Hoje será diferente. Para ti não voltarei, como antes voltei. Não aceitarei teus pedidos de perdão, e tampouco te envolverei, acalmando tua febre.  Eu voltarei – notou o brilho de esperança nos olhos da outra e continuou em tom de explicação – porém, neste reino não mais existe espaço para nós duas. Tu não voltarás! – o som surdo da lâmina atravessando a carne preencheu os ouvidos, exacerbou o cheiro da morte e o sabor do sangue.

             Nem uma lágrima foi derramada depois daquele dia. Nem um sorriso alegre, ou um riso histérico. Nem uma luta enraivecida, ou um amor ensandecido. Aquele evento fez perecer o prazer e o ódio. Deu início ao domínio frio e analítico daquela que permaneceu em pé.  A loucura fora controlada, a espontaneidade inibida, pois, foi naquela fatídica batalha, que a Razão exterminou a Emoção.

    Escrito por Rê às 20h25
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    A união faz a força

    Já tinha visto esse vídeo antes, mas não me lembrava mais dele. Hoje, recebi-o por e-mail e sabia que devia colocá-lo aqui. Aproveitem, da melhor forma que puderem. Beijos! 



    Escrito por Rê às 16h54
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    Conto de um amigo

     

    Curiosa Narração Sobre Um Poema (Uma Lenda)

    Por Joel/ F.Kafka

    Segure – disse meu pai – agora abra os olhos, entregando-me um pequeno livro. Este foi o ultimo presente que ganhei de meu pai; havia muitos livros em minha estante. Desde pequeno tinha eu o costume de me deliciar com pequenos romances e contos. Conhecia o mundo através das páginas dos meus pequenos livros, sonhava em um dia conhecê-lo e vivê-lo realmente. Duas semanas depois meu pai faleceu; e eu havia terminado de ler o pequeno livro que me dera. Meu querido pai entendia muito pouco dos livros, ele não era um sábio; pensava que enquanto eu estivesse a ler, não desejaria jamais conhecer o mundo lá fora.

    Eu não conhecia nada do mundo além dos limites de meu povoado. Adeus – disse minha mãe – tome muito cuidado e sempre se lembre de seu pai. Eu também não era nenhum sábio, mas era hora de saber o que o mundo tinha a oferecer. Caminhei em direção a colina do povoado e lá de cima avistei o mundo que me esperava. Atrás ficava minha pequena cidade e minha amada mãe. Não era hora de sentimentalismo, mas sim, de viver tudo aquilo que os livros até então havia exaltado e brotado em minha alma. O mundo não era muito diferente do que o que eu tinha vivido em meu povoado; havia árvores que formavam lindos bosques, pequenos riachos com águas cristalinas e à noite podiam-se ver belas estrelas. Durante o dia essas, as árvores, e à noite aquelas, as estrelas, acompanhavam meu caminho. Em bosques e prados nunca devemos nos sentir sozinhos. E eu não devia jamais me esquecer de meu pai. Também conheci abelhas, esquilos; ouvi muitos cantos dos pássaros; e em todas as noites eu recitava poemas enquanto as árvores balançavam suas grandes copas levadas pelo vento.

    – Boa tarde – disse-lhe eu – aonde vais?

    – Boa tarde, vou para o mundo – disse ela, aproximando-se de mim e caminhando ao meu lado. – E tu para onde vais?

    – Para nenhum lugar – respondi. A despeito de não ser muito diferente dos livros, eu não conhecia o mundo. Tenho muito que aprender e devo tomar muito cuidado também, minha alma deseja conhecer muitas coisas. Nós sempre temos o que aprender; é sábio aquele que reconhece nada saber.

    – Bem, bem, tens razão. E o que sabes fazer? Todos sabem fazer alguma coisa.

    – Nada de especial.

    – Deve saber alguma coisa – insistiu ela.

    – Sei recitar poemas.

    – Poemas! Vou para o mundo também para aprender e ouvir poemas. Que poemas?

    – De todos os tipos. Posso recitar poemas sobre essas árvores, por exemplo. Deixei meus livros em meu povoado, mas com eles aprendi a fazer poemas sobre qualquer coisa. Tenho muitos livros e os livros nos contam coisas maravilhosas, mas já era hora de conhecer o mundo real.

    – Podes recitar um poema? Então recite.

    – Posso, mas como te chamas mesmo?

    – Íris.

    Então, recitei o mais lindo poema sobre Íris e seus olhos verdes. Com seu chapéu de palha e sua cesta com frutas vermelhas. A respeito do bosque que cercava Íris e que se enchia de sua felicidade. Do mundo que ela deixara para conhecer o grande universo dos poemas, das frases e rimas. Quando lhe contei que estava com fome, ela tirou um pedaço de pão e me ofereceu. Comemos, sentados sob a grande árvore. Enquanto apreciávamos o azul do céu e o verde que nos rodeava ela me beijou.

    – Queres recitar ainda outro poema para mim – perguntou então, enquanto fitava seus grandes olhos em mim.

    – Quero sim - respondi, deves ser o que?

    – Sobre uma moça triste que perdeu seu amado – disse ela, abaixando os olhos para relva.

    – Não, isso não posso – respondi.  Não sei como é isso, não conheço o mundo ainda. Tenho muito que aprender a respeito das coisas do mundo, além do mais, não devemos ficar tristes. Eu só devo fazer poemas sobre a natureza, sobre teus olhos; somente coisas alegres e bonitas. Posso recitar um poema sobre as borboletas, os papiros ou sobre o vento nas copas.

    – Sabes recitar um poema de amor? – perguntou ela, então.

    – Do amor? Sim, claro. Este é o mais bonito de tudo.

    Imediatamente comecei a recitar um poema sobre um rapaz que conhecera uma linda jovem, que sentados sob uma grande árvore adormeceram inclinados em suas raízes. Recitei sobre o sol e seus raios sobre a papoula e quanto era a felicidade e o quanto brilhava o sol. Sobre os caminhos e sobre as folhas secas, rodeados por milhares de densos caules armados em posição como um exército, num bosque distante do meu povoado. E continuei a recitar o poema sobre a menina de olhos verdes e seus cabelos dourados, do pedaço de pão que dividira e da felicidade que causara. Os raios do sol que brincavam em seus lábios e sob seu chapéu de palha a doce face. As folhas do prado.

    – O mundo é realmente bonito – disse eu – meus livros tinham razão. Mas porque meu pai atalhava-me que eu fosse para o mundo? - pensei comigo mesmo.

    Tomei-lhe a cesta das mãos e continuamos a andar, seu passo combinava perfeitamente com o meu. Andávamos como se recitássemos um poema a cada passo. Tudo era muito bonito, as árvores, o rio e o ar fresco. Nunca havia caminhado com um prazer tão grande. A cada passo que conhecíamos mais do mundo, mais e mais palavras surgiam em minha mente e as recitava com grande alegria. Aquele novo mundo ia se tornando passo a passo parte de mim, a relva não era apenas uma relva qualquer. Conversava e ouvia as canções dos pássaros e sobre eles recitei dezenas de poemas. Quanto mais aprendia e conhecia do tão desejado mundo, meus poemas tornavam-se mais belos. Conseguia agora enxergar Deus nos bosques, nos riachos e nas estrelas. A cada poema que recitava acrescentava-se uma estrela no céu que brilhava e me acompanhava na escuridão da noite.

    Mas enquanto eu assim pensava tudo se tornara silencioso e sereno, maravilhoso e alegre, porque aquilo antes nunca me ocorre, Íris parou e segurou a cesta.

    – Agora devo ir – disse ela – devo continuar minha jornada. E tu para onde vais? Queres vir comigo?

    – Não, ir contigo não posso. Preciso ir pelo mundo. Preciso conhecer o mundo e recitar poemas. Obrigado pelo pão, Íris, e pelo beijo; vou pensar em ti.

    Uma tristeza apossou-se de mim, nunca havia sentido aquilo enquanto lia meus livros. É certo que sentia alguma debilidade enquanto os lia, mas agora sentia uma melancolia profundamente triste – deve ser um fenômeno natural do novo mundo que eu ia conhecendo – pensei. Ela segurou então a cesta e posta de pé à minha frente, seus olhos novamente se inclinaram para mim em sombras verdeadas e seus lábios prenderam-se aos meus; fiquei triste de tanto prazer.

    Então, gritei:

    – Vá com Deus – e marchei apressadamente pela estrada abaixo.

    A moça subiu devagar em direção a montanha, e sob as folhas secas na orla do bosque, parou e olhou com um olhar triste em minha direção e quando lhe acenei com chapéu, ela acenou com a mão e desapareceu silenciosamente, como uma miragem, para dentro da sombra do bosque.

    Eu, porém, continuei tranquilamente meu caminho, eu estava imerso em meus pensamentos, quando recitei pela primeira vez um poema triste e cheio de aflição.



    Escrito por Rê às 14h50
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    Reality Show

    Gostaria que não esperassem tanto para sentir revolta, para chocar-se e pedir mudanças. Gostaria que essa reação durasse. Pelo menos mais do que dura a cobertura da imprensa.

    Um caso intriga, mas quantos semelhantes não acontecem todos os dias? Pobre Eloá... pobre Maria, pobra Tereza, pobre Janaína, pobre Camila... pobre tantas outras, cuja única diferença da primeira, é que não viraram pontos de ibope.  

    Vou mudando os canais e fico cada vez mais enojada. “Especialistas” garantindo seus 15 minutos, analisando os 15 minutos do outro. Seria um belo show, se não fosse uma tragédia. O âncora diz “infelizmente” e tudo o que eu escuto é “Uhú, uma semana de assunto garantido”. Foi notícia no exterior: vergonha ou orgulho? Fiquei na dúvida pelo tom da notícia. Um repórter quase sussurrando as frases, busca emocionar com palavras bonitas. Talvez emocione alguém, mas me fez rir. Rir do que se faz por audiência e dinheiro.

    E o povo se vende, e se faz de chocado. Como se não ouvíssemos histórias iguais, ou piores, todos os dias. Lágrimas pela menina que ninguém conheceu. Ouço agora “Cinco mil pessoas são esperadas no velório de Eloá Pimentel”... Cinco mil abutres... cinco mil desocupados... se fizermos uma passeata pela paz, conseguiremos cinco mil participantes?

    Gostaria que o choque durasse, e que a dor fosse de todos nós. Talvez houvesse mudanças de verdade. 



    Escrito por Rê às 14h42
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    FIM!

    Cheguei ao fim.

    Foi uma odisséia. Uma luta interior em busca de inspiração e criatividade. Um conceito, uma idéia fixa. 

    Não executei com primor, tenho certeza. Nada feito às pressas é primoroso. Mas minha energia está lá, minha vontade de terminar. Meu medo de desperdiçar uma oportunidade, e nunca saber se seria capaz.

    Não espero nada dele. Já existe, já é meu, já é eu. Já é o suficiente!

    Meu manuscrito, meu livro. Finalmente, terminei um. Fim!

     

    P.S.: mas terminei graças aos meus amigos que me deram a maior força moral. Obrigada a todos, principalmente a Déa! (mais alguém acha que ficou parecendo discurso de Oscar?!)

     

    UPDATE: Após uma boa noite de sono, e uma revisão detalhada, concluí que o "livro" é uma bela merda! hahaha... mas tá valendo, o importante é participar!



    Escrito por Rê às 00h42
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